“Dizem por aí que o primeiro ano de casados é o pior. Quando fiquei sabendo disso, achei curioso, pois sempre pensei que fosse o contrário. Acho que a gente acaba acreditando na ideia de que relacionamentos seguem uma ordem fixa, que começam emocionantes e vão ficando mornos com o tempo. Talvez essa desconfiança com as coisas que duram venha da mesma inquietação que nos convence da necessidade de trocar de celular todos os anos. Como se o amor também ficasse obsoleto, como se perdesse com o tempo o valor de revenda. Mas parece então que dizem por aí que o primeiro ano é o pior. Não necessariamente ruim, mas pior do que os outros. Que fica mais fácil. Que, com o cuidado de tentar consertar as coisas quebradas ao invés de substituí-las, o tempo desgasta apenas as pontas afiadas que às vezes usamos para nos proteger da terrível vulnerabilidade que é estar junto. Fotografar esse começo é uma forma de buscar e resgatar a beleza que se esconde todos os dias atrás da pilha de roupas sujas, da louça para lavar, da lâmpada queimada, das contas a pagar. E de registrar esse processo, às vezes doloroso, de conhecer a si mesmo através do outro, de aprender a crescer junto, de construir juntos um refúgio amoroso onde o coração possa descansar depois de mais um dia nesse mundo doido.”
O Primeiro Ano foi uma espécie de diário fotográfico, um registro do início da construção da nossa vida em um novo ninho, formado pela junção das nossas origens e dos nossos desejos de futuro. Naquele momento, eu tentava construir, também, uma carreira como fotógrafa de famílias e me pareceu que mostrar um pouco de nós seria uma forma de devolver o gesto de abertura e vulnerabilidade das pessoas que me confiavam um pedacinho de suas histórias para gravar em imagens. O projeto teve início em novembro de 2013, dois meses depois de nos “casarmos”, e terminou em novembro do ano seguinte. Em 2016, quando nos mudamos do lugar que foi nosso primeiro lar, registramos também o fim daquele primeiro ciclo.
As fotos foram originalmente publicadas em uma página da plataforma Tumblr. Além das 118 fotografias, também publicamos uma ilustração produzida pelo André quando completamos um ano de “casados” e um vídeo de um cover musical, que mais recentemente republicamos no nosso canal no YouTube.























































































































