Ecobiografia da mãe

Os muitos fios da minha pesquisa se entrelaçam na trama de uma tentativa de me render ao Mistério, de me ligar à teia da vida, de aceitar o invisível que descansa escondido na poeira dos dias. Tenho trabalhado com uma espécie de mapeamento do território que a autora Isadora Krieger chama de Continente Materno. EsseContinuarContinuar lendo “Ecobiografia da mãe”

Seguindo em frente – Parte 2

(Ler antes a primeira parte clicando aqui) Grão. 2019. Aquarela, bordado e fotografia impressa em acetato. Três meses depois Quando deu um mês, eu engravidei. O mal estar que senti no dia exato não sei dizer se era tristeza ou se já era a minha carne se fazendo terra para aquela semente. Quando descobri, umasContinuarContinuar lendo “Seguindo em frente – Parte 2”

Seguindo em frente – Parte 1

Educação para o lar. Intervenção em páginas de livro de mesmo nome. 2019. Meio mês depois A primeira vez que me lembro de experimentar esse desespero foi aos nove anos de idade, no enterro da minha tataravó. Poucos meses antes, celebramos seus cem anos e, como costuma ser o caso em funerais de tataravós centenários,ContinuarContinuar lendo “Seguindo em frente – Parte 1”

A mulher nos ossos

https://www.instagram.com/pepoestudio/ (2016) A mulher que eu sou frequentemente me fala. Eu a ouço, mas nem sempre compreendo, porque não tenho fluência em seu idioma de sensações. É na lógica fria das palavras que me entendo, então, às vezes, nossa imprecisa comunicação carece da tradução de aparelhos oraculares. Essa mulher que me fala de dentro, dasContinuarContinuar lendo “A mulher nos ossos”

“Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.” (Hermann Hesse)

(2008) Antes era a urgência. E cada palavra era grito. O silêncio era angústia, uma angústia pesada, que tira o ar, que tira o chão. Tudo era chão, tudo era pesado e tudo era grave. Não creio que tenha se passado tanto tempo assim. Alguns anos, muitos dias — já não sei mais. Tampouco sei dizer oContinuarContinuar lendo ““Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.” (Hermann Hesse)”

A arte de Bispo do Rosário e os saberes da loucura

(2010) Arthur Bispo do Rosário, negro, sergipano, empregado em um casarão de família abastada, perdeu, em determinada noite, a capacidade de distinguir experiências reais das imaginárias. Já com quase 30 anos, foi internado e diagnosticado esquizofrênico-paranoide. Preso em delírios místicos, em ideias de grandeza, Bispo foi mais um refém de uma psiquiatria ignorante e cruel,ContinuarContinuar lendo “A arte de Bispo do Rosário e os saberes da loucura”

Além do nunca mais

(2016) No dia 31 de maio de 1991 foi ao ar o último capítulo da novela global Barriga de Aluguel. Com recém completados quatro anos de idade, me deparei, talvez pela primeira vez na vida, com o sentimento de testemunhar um encerramento definitivo. Segundo a história que já ouvi milhares de vezes de minha mãe,ContinuarContinuar lendo “Além do nunca mais”